Wednesday, June 06, 2007

de fora.

Saí dos EUA. Não definitivamente, apenas durante uns tempos.

Senti-me totalmente desenquadrada quando cheguei a Portugal. Estava rodeada por corpos estranhos que possuíam uma língua e uns hábitos vagamente familiares, pairando no meu caos espaço-temporal, criando uma indefinição de identidade, uma vaga sensação de estar, uma falta de nada. Há um ano atrás eu não era assim.

Wednesday, May 09, 2007

me and you and everyone we know

Hmm... Cliquem nos dois links abaixo...:)

ME AND YOU AND EVERYONE WE KNOW

SHOES SCENE

Se gostaram, toca a ver o filme!!!

))<>((

Sunday, May 06, 2007

trip to chicago

Aqui está um cheirinho da trip to chicago.
1_Chicago
2_um sinal da civilização, engarrafamento
3_Riviera Theater
4_Concerto dos Air
5_Chicago reflectida no "bean" do Millenium Park
6_Eu reflectida no "bean" do Millenium Park
7_O Joy, a Joana, eu e o steven na ponte que atravessa o rio na Michigan Av.
8_Uma bicicleta, mas como peça de arte! na Michigan Av.
9_Acho que a foto já faz a legenda por si
10_going back to the corn fields...









Friday, May 04, 2007

obrigada Mães...

Pois é... sem querer tocar naquele ponto lamechas típico de um programa do Manuel Luís Goucha, tenho que admitir que aqui os US ensinaram-me algo que deveria ser muito óbvio, mas as Mães de facto sabem muita coisa e, caraças, as palavras sábias delas realmente têm impacto aqui no meu coraçãozinho indeciso e complicado...

Finalmente vi que realmente estar-se bem aqui parte essencialmente de mim e quando me apercebi que esse controlo é meu, encontrei de imediato os artistas desta cidade e os grad students que, embora americanos, têm os mesmos horizontes que eu e agora penso que tendo descoberto isto os meus olhos só podem encontrar ainda mais cores...

Obrigada minha Mãe e também tenho que agradecer à mãemanuela (mãe da sarinha) pois o que escreveu também deu assim um puxãozinho...:)

Para terminar este post só posso deixar aqui um link para ouvirem uma menina (é mais mulher...) que embora nascida em Moscovo, aqui nos US teve a oportunidade de mostrar o seu talento e ainda bem!!

Cliquem em REGINA SPEKTOR

Faltam umas horitas para eu ir a Chicago... Vou à civilização e espero trazer novidades!

Friday, April 27, 2007

oh Torberto.. podias estar quietinho!!

9h30 da manhã de Sábado. Acordo com aquela felicidade fim-de-semanal...! caraças, nem preciso de inventar desculpas para não ter que trabalhar, posso dedicar-me ao ócio de corpo e alma e deixar o corpo relaxar enquanto vou olhando para a manhã solarenga. Como não tenho televisão ou aparelhagem, ligo o meu computador para ouvir música, ler o Público online, o NY Times online, ouvir os programas de humor da rdp em podcast, ver quem anda pelo messenger para dar duas de letra e saber como vai a vida pela Invicta carágo... e eis que de repente vejo o envelopezinho que me avisa se tenho ou não novos e-mails recebidos a ficar azul: tenho um novo e-mail. Fico contente, pode ser que alguém de quem eu goste me tenha escrito, pode ser que um american queira convidar-me para um date (ah ah ah!!), pode ser que me tenha sido atribuído um ipod caso eu clique no link XPTO e que me encherá o computador de spyware e ipod népias... ai caramba, tantas coisas boas e fim-de-semanais que eu posso receber no meu e-mai...l!! Clico no envelope azul, o e-mail diz "Loading..." e eis que finalmente o vislumbro. Os meus olhos ficaram imediatamente semi-cerrados, a minha face tensa e creio que um pouco verde. Desviei o meu olhar do malfadado e-mail, bufei 3000x, levantei-me para verificar o dia no meu calendário american: April 28th, Saturday, bebi um copo de água seguido a pensar que um fino é que já ía. Na minha cabeça só martelava: É FIM-DE-SEMANA, É FIM-DE-SEMANA!!!! Voltei a sentar-me para contemplar a irritação que o e-mail ainda por abrir me fazia sentir e li várias vezes: Torbert Rocheford (remetente) subject: color bulks. Pois bem... quem é o Torbert (Torberto para os amigos)? O Torberto é o meu orientador aqui da UIUC (University of Illinois at Urbana-Champaign), é um Professor bem conceituado na sua área e creio que embora tenha um PhD em Plant Breeding and Genetics, aquilo que ele deveras domina é o terrorismo-aos-estudantes. Pois bem... teve a semana toda numa conferência em Seattle ao lado do Bill Gates para tentar sacar-lhe uns trocos. Eu tive a semana toda no laboratório a trabalhar... Mas isso para o Torberto não é suficiente, pois ele gosta de ter mais, muito mais. Por isso, porque não mandar um e-mail num sábado de manhã a exigir à Inês-de-Portugal-3º-mundo a sua presença para ver como anda o meu trabalho. Acho que o torberto deve sentir-se sozinho no seu gabinete ou então sente que a Inês-de-Portugal-3º-mundo tem que trabalhar também, porque senão ele é que será o meu escravo!
Mas eu tenho a escola toda, oh Torberto! Eu, portuguezinha indomável, não tenho que ter internet em casa... por isso, como é que eu posso ver o e-mail se hoje é sábado?? Pois... não posso!
Ah... o doce sabor da indolência! Mas... oh Torberto.... podias estar quietinho!!!

superEgos?

Quando aqui cheguei a minha mente estava emoldurada na ideia que fazer investigação e ser um grad student (grad student é um estudante que está a fazer ou um mestrado ou um doutoramento) era o meu objectivo. Neste momento perdi essa referência e ando à procura daquilo que quero ser no futuro que me espera... O perfil de grad student aqui nos US é um pouco perturbador e creio que o preço a pagar para o ser, para mim, Inês-portuguesa-emocional-afectuosa, é demasiado caro e pode acabar em prejuízo. O perfil de grad student consiste em ter-se um umbigo de um tamanho exagerado e nessa cratera apenas há lugar para a sua carreira, o seu trabalho, o seu tempo... com um caldo tão egocêntrico, estes pobres estudantes não sabem muito bem como é que é isso de socializar, não sabem envolver-se e emocionam-se muito consigo mesmos, apenas. Quando se juntam todos para fazer uma coisa que eles chamam de convívio, bebem até ficarem totalmente inebriados e falam de "stuff and things"... uma coisa superficial, leve, superflua. Não querem saber como vai a vida de cada um, pois isso exige uma entrega para a qual o seu doutoramento ou mestrado não permite, pois o que eles querem é acabar a grad school, ter um "real job" e escravizar a sua juventude nuns artigos para os seus orientadores.

Não é a quantidade de trabalho que se tem enquanto grad student que me fez perder o objectivo inicial, mas sim a falta de alma que caracteriza estes jovens. Não há intimidade, apenas uma camada de maquilhagem e um círculo circunscrito em torno deles mesmo. Que solidão...!

Perturba-me ver esta juventude com tanta dificuldade em viver no mundo, mas a máquina alimenta estas personalidades e quando a fábrica destes robots recebe um corpo estranho tenta moldá-lo até este ceder... claro que a plasticidade de uma forma tem limites e quando a pressão exercida excede o ponto máximo, há a rotura. A produção não pára! Mas o corpo estranho estará em estilhaços.

Quem serão os reais "super" egos?




Thursday, April 26, 2007

OK Go

Hoje vou ver um concerto dos OK Go.

Os vídeos deles são, apesar de caseiros, bastante originais... Podem clicar nesses dois links abaixo para verem os vídeos!

Million ways to be cruel

Here it goes again

Prometo dentro de breve escrever algo mais consistente...!

Thursday, April 19, 2007

o outro lado do espelho.


Ontem fui ao concerto do Andrew Bird no Canopy Club aqui em Urbana. Fui a conselho de um amigo meu e sem nunca ter ouvido uma única música dele.

O Andrew Bird é dos subúrbios de Chicago e cresceu numa quinta vendo o milho crescer de ano para ano. Actualmente ele vive isolado no celeiro dessa quinta onde cresceu. Aí compõe e grava a sua música. É um personagem intrigante. O seu perfeccionismo é assustador e embora hoje em dia ele tenha dois músicos com ele para fazer as suas actuações ao vivo, ele começou este percurso pisando os palcos totalmente sozinho com o seu violino, guitarra, samples...etc... A gravação dos seus álbuns é unica e exclusivamente feita só por ele, o que eu entendo... a relação que ele tem com a sua música e com a música é de tal forma íntima que parecem amantes. Mas não é só com a música que ele tem esta relação, com as palavras também... Pois estas completam as suas canções e o conjunto destes dois componentes fazem a pele ficar eriçada, arrepiada e desejar que ele não pare de tocar e cantar.

Andrew Bird apesar de ter crescido numa quinta em Illinois parece um personagem da West Coast, CA, San Francisco. No entanto creio que de onde ele vem, só ele sabe.

Para ouvirem músicas dele cliquem AQUI.

Creio que o Andrew Bird é o oposto da imagem que nós tendemos a ter dos americanos (pois é emocional, envolvente, espiritual, anti-herói...), mas ele só podia existir aqui, nos US. É este lado do espelho que prende as minhas emoções.